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Sofia: “O meu bebé não tinha nada de mal, apenas estava a exigir a minha presença, a 100%”

A Sofia é Psicóloga e é casada com o Gil. Juntos são pais da pequena Beatriz e também do Bernardo, que está quase a fazer um ano. Passados 12 meses depois do nascimento, Sofia partilha connosco os melhores momentos e também os conselhos de quem vive a maternidade pela segunda vez.

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Como foi a tua gravidez?

Adorei estar grávida. Foi passada de forma tranquila, apesar de me sentir muito cansada muito cedo e ter tido insónias também muito cedo.

Que medos tinhas?

Os medos normais de duvidarmos por vezes se está tudo bem com o nosso bebé. O medo de poder não conseguir dar conta do recado, pois tenho uma filha que tinha na altura 3 anos e como com a gravidez parecia que andava de rastos, questionava-me algumas vezes como é que eu ia conseguir orientar-me com dois! Pensava também muitas vezes sobre como iria a Beatriz reagir ao bebé. Filha única, não andava na escola, estava com os avós em casa, tinha a atenção 100% de toda a família só para ela… tive receio que não reagisse bem ao bebé.

Como foi o nascimento? O que sentiste quando viste o teu bebé pela primeira vez?

O nascimento foi mau. Não correu como esperava e desejava e fiquei muito triste por isso. Quando vi o meu bebé senti um grande alívio, pois tínhamos estado os dois em sofrimento. Quando percebi que ele estava bem fisicamente, senti-me melhor. Mas mesmo assim ainda demorei a sentir-me totalmente feliz porque não me sentia nada bem fisicamente para poder prestar toda a atenção ao meu bebé. E senti-me triste com isso.

E a chegada a casa?

Estava desejosa! Desejosa de ir para o meu espaço, desejosa de ficar sozinha com o meu bebé, só eu e ele. Correu muito bem. A minha mãe também me ajudou com as refeições para a Beatriz, pois não tinha nada feito, o que me deixou mais aliviada e livre de preocupações. Adorei ver a minha filha a dar festinhas e beijinhos no mano. Senti que ia correr tudo bem porque a minha filha estava feliz.

Em que é que sentiste que foste apanhada desprevenida?

Pensei que como já tinha tido a Beatriz, já estava mais experiente e tudo ia ser mais fácil, não estava nada preocupada! Mas o nascimento do Bernardo coincidiu com a entrada da Beatriz na escolinha. Sendo que era a primeira vez que ia para a escola, pois até então tinha ficado com os avós. A adaptação foi difícil, muito exigente emocionalmente para ela e para mim enquanto mãe. E por isso tentei manter a mesma rotina quando o Bernardo nasceu, ou seja, ser eu a acordá-la, a vesti-la e a dar-lhe o pequeno-almoço e a levá-la à escola. Mas criou-me muita ansiedade, porque muitas vezes o Bernardo acordava a essa hora. Quando a levava à escola os meus pais ficavam na nossa casa com o Bernardo, pois era uma ausência de apenas 20 minutos. Mas sempre que eu chegava ele estava a chorar desesperado. Não contava com isto. Não contava com o sentimento que por vezes me assolou de que não estava a conseguir ser mãe de um nem de outro. Por vezes senti que estava a ser mãe pela metade. Senti que quando dava atenção à Beatriz devia estar com o Bernardo, e quando estava com o Bernardo devia também estar a dar atenção à Beatriz. Foi difícil lidar com este sentimento… não estava à espera. Também não contava que o Bernardo não dormisse mais de 2h30. Ainda hoje é assim. Confesso que pensava que quando começasse a comer sólidos o Bernardo pelo menos dormisse 3h30 seguidas, mas enganei -me bem! Também fui apanhada desprevenida neste sentido.

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Qual foi o pior momento?

Ao fim de duas semanas do Bernardo ter nascido, ele chorava grande parte do dia, só acalmava na maminha. O pior momento foi esse, ele chorar o dia inteiro, as pessoas que me rodeavam darem a sua opinião, e mtas vezes era contrária ao que eu estava a fazer e, por isso, sentir-me sozinha. Senti-me muito sozinha nos primeiros dois meses e meio de vida do Bernardo. Esse foi o pior momento, sentir-me sozinha e que ninguém me compreendia.

O que sentiste que te ajudou?

O livro da Constança. Eu sei que parece ridículo estar a escrever isto, mas foi mesmo. Ajudou-me muito. Foi muito terapêutico. Ajudou-me a voltar à minha tranquilidade habitual, a perceber que não estava louca e que o meu bebé não tinha nada de mal, apenas estava a exigir a minha presença, a 100%… como devia ter sido desde o início. Ele estava a ser normal, eu é que não! Cada vez que penso que houve uma vez que estava a dar maminha de manhã com ele meio no ar meio no meu braço, enquanto fazia a papa da Beatriz! Por favor, onde estava eu com a cabeça? Como não consegui perceber logo que isto não estava correcto? O livro da Constança ajudou-me a perceber que aquele momento, aqueles meses, eram do Bernardo e para o Bernardo. E que eu estava certa em dar todo o colo e toda a maminha que ele me pedisse. E que a opinião dos outros, vale o que vale.

E o que não ajudou nada?

Não ajudou nada algumas pessoas, incluindo médicos, dizerem que dava mama de mais, que o meu bebé estava a fazer manha e que estava a habituá-lo mal. Que devia dar menos colo. Senti-me muito sozinha. Não ajudou nada o meu marido não perceber a minha solidão, e muitas vezes se juntar a esses comentários. Não ajudou nada o meu marido achar que nada na nossa vida devia mudar com o nascimento do nosso filho quando, efectivamente, tudo muda, senti falta da sua compreensão.

O momento mais belo?

Têm sido vários os momentos belos, mas o mais belo tem sido o dar de mamar! Para mim dar de mamar é maravilhoso. Sinto uma grande cumplicidade. Tenho muita sorte em nunca ter tido problemas neste sentido. Também é lindo ver a relação de irmãos crescer! Ver o Bernardo a dar gargalhadas cada vez que vê a irmã! É muito bom!

O que mudou em vocês enquanto casal?

Mudou tudo. Eu costumo dizer que só há cerca de um mês é que o caos lá em casa acalmou um pouco. Não tem sido fácil. Foi muito difícil o meu marido adaptar-se a novas rotinas, especialmente quando achava que não tinha que as mudar. Foi muito difícil o meu marido perceber que nos primeiros meses é difícil não estar cansada e estar disponível mentalmente para ele. Mas essencialmente o que mudou foi o tempo para nós os dois, que não existe desde que o Bernardo nasceu. Desde que ele nasceu que não estamos dois segundos sozinhos, porque ora estamos com ele, ora com a Beatriz ou com os dois. E isso já conversámos que tem que mudar, pois precisamos de nos sentirmos outra vez namorados, para além de pais. Temos saudades um do outro.

Se desses um conselho a ti mesma, no dia antes de ter nascido o teu bebé, qual seria?

Primeiro que tudo, gostava de ter lido o livro da Constança antes do Bernardo nascer. Acho que tinha ajudado muito, tinha estado muito mais segura, e de certeza que não me tinha sentido tão só. Mas o conselho que tinha dado a mim mesma seria que os primeiros dias, semanas e meses são do teu bebé! Toda a tua atenção tem que ser para ele.

Isto não quer dizer que fosse negligenciar a Beatriz, mas acho que com o receio de ela ficar sentida com o nascimento do mano, exagerei! E diria também que quando te derem opiniões, sorri, mas por dentro diz eu é que sei, eu é que sou a mãe!

Sheyla: “Tinha medo do bebé nascer antes do tempo e se ele seria um bebé saudável”

A Sheyla tem 41 anos e é engenheira. É casada com o Pedro e são pais de dois meninos, o Bernardo e o Martim. Passado mais de 1 ano de ter tido o seu bebé mais novo, a Sheyla conta-nos como a experiência de ser mãe pela segunda vez é tão diferente da primeira. E explica-nos como todos os momentos menos bons são ultrapassáveis, de forma a podermos aproveitar ao máximo a magia da maternidade.

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Como foi a tua gravidez?

Foi a minha segunda gravidez. Não foi uma gravidez tranquila porque com 3 meses e meio de gravidez a minha mãe faleceu o que me afetou muito . Aos 5 meses comecei a ter perdas de sangue o que me obrigou a ter de ficar em casa em repouso até o parto. Durante esses meses não aproveitei a gravidez da mesma forma que a do meu primeiro filho, por estar mais preocupada se tudo correria bem.

Que medos tinhas?

Tinha medo do bebé nascer antes do tempo e se ele seria um bebé saudável.

Como foi o nascimento? O que sentiste quando viste o teu bebé pela primeira vez?

Face à situação clínica foi prevista uma cesariana para o dia 18 de Maio. No entanto, o Martim teve pressa e quis fazer uma surpresa. Então na véspera, dia 17, acordei as 7h com o rompimento da bolsa. Não sabia bem o que estava a acontecer visto que o primeiro parto também foi cesariana (pélvico). Liguei ao meu médico que me orientou para ir para a maternidade. Estava muito nervosa porque tinha uma série de preocupações para aquele dia , nomeadamente, tinha planeado para aquele dia deixar as sopinhas prontas do meu filho mais velho; queria acabar um livro de histórias sobre o nascimento para ele poder levar para a escola  (era uma maneira de nos mantermos juntos uma vez que sabia que durante os dias pós-parto ficaria no hospital)  e por fim, sou um pouco pragmática e ter antecipado o dia “atrapalhou os meus planos” o que me dá a sensação de “fora de controlo”, e o que me deixou ainda mais ansiosa.

Depois de ter sido examinada pela médica das urgências fui para o quarto para ser vigiada. Comecei com muitas contrações. Ui, aquilo doía… fiquei desde as 10h até as 15h a sentir as contrações até a chegada do meu obstetra. Essa parte não foi fácil. Às 15h o meu médico chegou e seguimos imediatamente para a sala de cirurgia. Meu bebé nasceu as 15h43 e mais uma vez surpreendeu-nos. Ao contrário das minhas preocupações, nasceu saudável a pesar 4,040Kg.

Lembro-me de perguntar ao médico se ele estava bem e a resposta que recebi com graça foi “sim, só é um pouco desnutrido tadinho”. Ver o meu bebé, ver a sua carinha é algo que me emociona sempre que me recordo. É mágico, como diria o meu filho mais velho.

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E a chegada a casa?

Por um lado um segundo filho dá-nos mais tranquilidade porque já passámos por aquela experiência e sabemos que tudo é normal e passa. Por outro lado, como com o meu filho mais velho tive uns primeiros meses complicados, com ele a chorar e com cólicas, então tinha receio de se passar o mesmo com o Martim. Mas o Martim surpreendeu-me mais uma vez e fazia cerca de 4h de sono o que para mim era um luxo! Isso ajudou-me porque o irmão tinha ciúmes e durante à noite chorava pedindo colo e eu acabava por reversar, ora estava com o Martim, ora estava com o Bernardo.

Em que é que sentiste que foste apanhada desprevenida?

Apesar de no pós-parto do meu primeiro filho ter passado por toda aquela pressão do “colo não é bom” e ter ultrapassado com a ajuda de ter descoberto o “Bejame Mucho”, do Gonzalez e depois, outros autores da mesma linda de pensamento. Mas quando se está mais cansada e de certa forma “fragilizada” (porque passamos por muitas mudanças) , em momentos de crise por vezes pensava se estava a fazer tudo certo.

Qual foi o pior momento?

Foi quando perto dos 2 meses o Martim deixou de fazer as 4 horas das sestas diurnas e eu comecei a ter um dejavu… e quando à noite o irmão chegava à casa e eu queria dar-lhe atenção mas o Martim queria também colinho. Essa parte foi a que mais me custou gerir.

O que sentiste que te ajudou?

Como já não era mãe de primeira viagem, para o segundo filho antevi-me com uma série de estratégias para facilitar a minha vida no pós-parto. Desde passar a fazer compras de supermercado online, a comprar uma bimby para me ajudar a ter mais tempo e por fim, uma amiga falou-me da Constança. Comprei o seu livro e adorei. Precisávamos de uma voz feminina, mãe, mulher e que falasse a nossa língua.

Então, quando senti que precisava de alguém para dar-me o “Norte” enviei um email para o centro do Bebé e inscrevi-me no Programa Dias Felizes. Foram semanas tão boas. A partilha de mães é essencial para o pós-parto. É empático, enriquecedor e ajuda-nos a perceber que todas passam por momentos mais difíceis, mas que não devemos perder o foco. Temos o nosso bebé connosco e devemos aproveitar aqueles momentos. O estar em contacto sempre com o nosso bebé num ambiente tão relaxado e acolhedor ajuda-nos muito. A Constança consegue dar-nos tranquilidade pela própria maneira de estar serena. Mas não é só isso, ela tem muito conhecimento e explica-nos de uma forma não imperativa.

E o que não ajudou nada?

Em momentos de crise, esquecer que os momentos difíceis são passageiros e que é tudo uma fase.

O momento mais belo?

Foi numa sessão do curso, os outros bebés estavam a dormir e então a Constança direcionou a massagem para o meu bebé que ao contrário dos outros tinha nascido de cesariana. De repente a Constança começa a olhar para o meu bebé e sem dizer nada, vem calmamente para junto de nós. Começa a olhar para ele, põe as mãos em sua cabeça e começa ali um momento mágico. Enquanto estou a escrever e recordar, emociono-me. Então a Constança pede-me para por as mãos junto aos pezinhos dele enquanto ela amparava a sua cabeça e o meu bebé começa a fazer todos os movimentos como se estivesse no parto natural. Empurrou o corpo, deu a volta e deslizou como se estivesse a sair. Foi LINDO! Eu nem consegui dizer nada depois disso porque fiquei emocionada e boquiaberta. Foi de facto um momento mágico. Foi o parto natural que não tive.

O que mudou em vocês enquanto casal?

A vinda de um filho engrandece uma família. Acredito nisso. No entanto é importante estarmos preparados porque nem sempre é tão romântico. O cansaço, as noites mal dormidas, o corpo que não volta à forma rapidamente. Enfim… Mas ainda assim a chegada do nosso segundo filho fez-nos recordar e reviver a emoção que tivemos com o primeiro. Quando olhamos para o nosso filho, sentimos que ele é parte de nós e sem traduzir em palavras, sabemos que esse sentimento existe.

Se desses um conselho a ti mesma, no dia antes de ter nascido o teu bebé, qual seria?

Teria passado o dia num jardim, deitada numa mantinha a curtir com tranquilidade aqueles momentos com o meu filho mais velho e o meu marido.

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